EXCLUSIVO: Halo Glasslands em português – Parte 1

Se você é fã de Halo, deve saber da existência de inúmeros livros da série. O que você não deve saber é que alguns deles figuram na lista dos mais vendidos e recomendados do jornal americano The New York Times. Caso você tenha interesse em conhecer mais da mitologia por trás da franquia, prepare-se, pois existem histórias passadas antes e entre os jogos da série, que superam até mesmo as dos próprios games, mais especificamente “The Fall of Reach” (antes de Halo) e “First Strike” (ambientado entre Halo 1 e 2).

Depois do final de Halo 3, sabíamos que a guerra havia acabado, os Elites haviam deixado a Terra pacificamente, sob ordens do Arbiter, porém, o que se seguiu nos anos seguintes tornou-se verdadeira incógnita. Quais os reflexos políticos e sociais do fim do conflito, na Terra e nas colônias? Quem passaria a administrar as seis estações Halo ainda funcionais? Qual o papel da humanidade, que quase chegou à extinção, no universo?

Para responder a todas essas perguntas, a 343 Industries, patrocinada pela Microsoft e em colaboração com alguns dos melhores escritores de ficção da atualidade, lançará uma nova série de livros de Halo, cujo primeiro número é entitulado “Grasslands”, que explorará os rumos do universo pós Halo 3, leitura mais que obrigatória para os verdadeiros fãs da série.

Confira abaixo, com exclusividade, o Prólogo do Livro, em português:

PRÓLOGO

NOVEMBRO DE 2552, LOCALIZAÇÃO INDEFINIDA. ÚLTIMA LOCALIZAÇÃO NO ESPAÇO-REAL: CENTRO DO PLANETA ONYX.

É um lindo dia ensolarado. Os galhos das árvores balançam com uma suave brisa que nos envolve a todos.

E estamos presos.

Você brincou de esconde-esconde quando era criança? Já fechou a porta do armário com toda força, feliz da vida por achar que nunca seria encontrado, apenas para perceber que você se trancou? Você entrou em pânico ou suspirou aliviado? Acho que tudo depende daquele de quem você se escondeu.

Estamos nos escondendo do fim do mundo.

Até onde sabemos, ele já aconteceu. Se existir qualquer um lá fora, ele nem imagina que possamos estar aqui. Podemos ser a última forma de vida inteligente que restou na galáxia – eu, Chief Mendez e um destacamento de Spartans. Correção: três dos meus Spartans – Fred, Kelly e Linda – e cinco outros que são uma outra coisa qualquer, cinco que eu nem sabia que existiam até esta semana, e se tem algo que não suporto, é não saber.

Explique-se agora, Chief. Tenho todo o tempo do mundo agora. Tenho mais tempo do que coisas para fazer com ele.

Mendez tira algo do bolso de sua calça e olha fixamente, como um mago contemplando uma relíquia sagrada antes de guardá-la.

“Você não sabe ler Forerunner, Doutora Halsey”, ele diz, indiferente. Ainda estamos ignorando o elefante que nos observa no momento, enquanto nenhum de nós diz realmente o que está pensando. “Você sabe qual é o símbolo de refeitório? Isso seria bem útil agora”.

Ele está observando um sol que não poderia estar lá, num céu artificial que fica azul como no verão de uma lado e escuridão total do outro. Não estamos mais em Onyx. Não nesta dimensão, pelo menos.

“Chief, este é o abrigo mais avançado já criado”. Não tenho certeza de quem quero convencer, ele ou eu. “Uma civilização capaz de construir um abrigo do tamanho da Terra não esqueceria de estocar alimentos. Esqueceriam?”.

É um dia permanentemente ensolarado fora da Esfera Dyson, e além de suas muralhas…bem, eu não mais. Era Onyx. Agora estamos em algum lugar no splispace. Cada vez que penso nas medidas da tecnologia Forerunner, algo novo aparece para me confundir. Ele devem ter apreciado nosso senso de beleza ou nos transmitiram o deles, pois fizeram este ambiente predominantemente rural, com árvores, grama, rios, formando um cenário quase perfeito.

Mendez apalpa seus bolsos, como se verificando se algo inda está lá. “Melhor esperarmos que eles tenham pensado em algo, pois do contrário estamos ferrados. Ou teremos que viver do que plantarmos”.

“Temos fornecimento ilimitado de água, Chief. Já é alguma coisa”.

Mendez me conhece há muito tempo. Com o passar dos anos, ele tentou aperfeiçoar sua expressão facial, dando impressão de que se importa. Quase conseguiu. Na verdade é nojo. Eu sei disso agora. Posso ver claramente.

Mas você não está em posição para me dar lições sobre ética, não é, Chief? Eu sei que o você fez. As provas estão bem na minha frente aqui. Estou olhando para todas elas.

Mendez anda na direção das duas equipes de reconhecimento que o esperam abaixo das árvores de carvalho. Os Spartans, meus protegidos, e o pequeno projeto de Ackerson, esses Spartans-III, parecem impaciente para fazerem algo de útil. Eles simplesmente não se adaptam bem ao sedentarismo. Fizemos da guerra o foco central das vidas deles.

Agora não sabemos mais se ainda existe uma guerra para ser lutada, ou mesmo se existe uma galáxia, em que possamos lutar.

Tudo está bem para mim. Meus Spartans estão seguros aqui, Isso é tudo que importa. A salvo dos disparos dos Halos, pelo jeito. Eu não sei se isto é realmente o paraíso que aparenta. Talvez já tenha alguns moradores. Descobriremos do jeito da marinha, diz Mendez.

“Certo, Spartans, o acampamento está seguro, então vamos conhecer a vizinhança”. Mendez pega seu rifle e olha para Fred. “Racione tudo até sabermos se tem alguma coisa no cardápio daqui. Certo, senhor?”

“Certo, Chief. Verifiquem seus rádios”. Fred, Spartan-104 tornou-se tenente apenas aos 41 anos. “Prioridades, nesta ordem: defendam o perímetro, localizem um suprimento de comida e descubram uma forma de reviver a Equipe Katana e os outros”.

Quantos Spartan III Acherson teria criado? Cinco estão aqui, em animação suspensa, com mais três outros homens que não pudemos identificar, mas não temos a menor idéia de como abrir seus pods de hibernação Forerunner. Teriam uma história interessante para nos contar se soubéssemos como abrí-los.

Fred gesticula informando que avançará no terrenos. “Ouçam isto como uma instrução. Spartans 2, familiarizem-se com os Spartans III, para que, quando venhamos a sair daqui, possamos lutar eficientemente. Kelly, Doutora Halsey, tom e Olivia, vocês ficam o Chief Mendez. Linda, Mark e Ash, comigo. Avançar”.

Assim que Fred se vira para o outro lado, eu percebo seu olhar. Ele nunca foi muito bom em esconder seus sentimentos, mas ele não pode escondê-los de mim. Conheço todos os meus Spartans melhor do que suas próprias mães. Ele fecha fortemente seus olhos, como estivesse bloqueando um mundo insuportável, por uma fração de segundo e então isso passa. Enterramos nossos mortos aqui. Dois daqueles Spartans III, na adolescência, apenas crianças…E Kurt nunca chegou a adentrar a Esfera.

Achei que você já estivesse morto, Kurt. Agora perdi você duas vezes.

Fred bate de leve no ombro de Lucy. “Você está bem, Spartan?”

Ela acena, distraidamente, com a cabeça. Ela é apenas um pedaço do que foi, traumatizada demais para falar. Mendez treinou essas crianças. Ele sabia. Ele sabia o que Ackerson estava fazendo com minha pesquisa. Ele era parte disso o tempo todo.

E não vou esquecer disso, Chief.

Kelly diminui seu passo e começa a caminha do meu lado. Não tenho mais vinte e um anos e certamente não tenho o preparo físico de um Spartan de dois metros de altura, ou desses…novos Spartans. Meu deus, eles são muito pequenos. como podem ser Spartans?

“Você parou novamente, Doutora Halsey”, diz Kelly. “Uma toca de coelho. Você sabia que estava aqui?”

“Eu deveria parar de tentar dar a impressão de que sei de tudo, não é?”

“Você acha que vamos perder esta guerra. Eu sei que não vamos”.

“Eu me baseio nos fatos conhecidos. Mas não me importo de estar errada às vezes”.

Até onde eu iria para salvar meus Spartans? Até aqui. Eu os atraí até Onyx, o lugar mais seguro que eu conhecia, porque eu sabia que eles nunca abandonariam seus postos de outra forma. Eu menti para salvá-los.

Eles são tudo que resta entre mim e minha condenação. Fiz coisas terríveis, monstruosas, criminosas, mas que foram necessários, e fiz isso a cada um deles. Os sequestrei ainda crianças. Fiz experiências neles. Os modifiquei terrivelmente. Matei metade deles. Os transformei nos soldados sem vida fora da UNSC.

Isso precisava ser feito, mas agora preciso fazer isso.

Não há nenhum Deus esperando para nos julgar quando morremos. Este é nosso céu e nosso inferno, mas aqui e agora, com a dor e as memórias que deixamos para trás par vivermos. Mas eu não busco o perdão da sociedade, de Mendez, ou até mesmo o meu perdão.

Quero, apenas, fazer o que é certo por esses homens e mulheres, cujas vidas eu usei. O perdão deles é o único que pode me absolver.

Kelly, a Spartan alta e confiante, nada parecida com a vítima que sinto tê-la tornado, aponta para o horizonte. Estou começando a esquecer que estamos presos numa esfera em outra dimensão, porque meu cérebro está se acostumando a me contar mentiras positivas. Observo um oceano de árvores e duas estruturas douradas protuberantes, alguns kilômetros à frente.

“Impressionante, Doutora”, ela diz. “Ei, Chief, o que você que são?”

“Tomara que seja o refeitório”. Mendez continua escaneando as árvores como se estivesse esperando problemas. “Ou um jeito de sair daqui. Não esqueça que ainda enfrentaremos o inferno quando sairmos daqui.”

Ele está certo. Vencendo ou perdendo, guerras nunca acabam sem deixar estragos. Acho que já perdemos. Se os Covenant não dominarem a galáxia, então essa forma de vida que eles chamam de The Flood irá, ou então os Halos dispararão e acabarão com toda a vida inteligente. Mas, se vencermos…

Mesmo que vençamos, a galáxia ainda continuará sendo um lugar perigoso e desesperado.

Gostaria de saber onde John está. E Cortana. E…Miranda.

Vê, Miranda? Não esqueci de você, não é?