GAME ON: Confira a exposição de Videogames realizada pelo Governo do Estado de São Paulo

Nos últimos anos, com iniciativas como o Jogo Justo, bem como a divulgação dos números expressivos da indústria do entretenimento eletrônico em todo o globo, que há muito já spuperou o faturamento dos cinemas, firmando-se como a expressão cultural do novo século,  o Brasil parece finalmente começar a despertar em relação ao potencial dessa indústria, sendo que um dos frutos é a realização da Exposição britânica Game On, em território brasileiro.

Uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, a Game On chega à capital paulista com o status de arte, como declarado por Andrea  Matarazzo, Secretário da Cultura de São Paulo, cujo entendimento acerca do tema é no sentido de que  “Os games fizeram uma revolução nas artes gráficas e eletrônicas, além de mudar as formas de lazer. Desenhar essas histórias é sensacional”. Imaginar um político brasileiro com essa visão até pouco tempo era algo inimaginável.

A Exposição Game On, originária da Inglaterra, desembarcou no Brasil depois de uma turnê por oito países, e ficará sediada no Museu da Imagem e do Som de São Paulo até 8 de janeiro de 2012, oferecendo ao público brasileiro uma visão sobre a história e o futuro dos videogames, desde seus primóridos, com o Space War, até o Kinect, passando por todas as gerações de consoles e computadores domésticos que marcaram época, assim como máquinas de fliperama clássicas (com freeplay liberado, é claro).

Um dos pontos interessantes da organização do evento foi apresentar essas máquinas na ordem cronológica, ou seja, desde o gigantesco computador em que Space War foi desenvolvido, passando pelos primeiros consoles domésticos, dos anos 70, clássicos dos Arcades como Galaga, Galaxian, Donkey Kong, Dig Dug, entre outros, passando pelo Atari 2600, Famicom, PC Engine, portáteis, até os consoles atuais, trazendo toda uma bagagem cultural às novas gerações e matando saudades de gamers mais maduros.

Uma das seções da exposição traz uma redoma contendo todos os videogames portáteis lançados pelas mais importantes fabricantes, indo dos Game & Watch da Nintendo ao 3DS, uma verdadeira aula de história, que demonstra que nesse mercado ter uma máquina mais poderosa não é sinônimo de sucesso comercial. Incrível poder ver ao vivo raridades como o PC Engine GT, portátil da NEC que utilizava os mesmos cartuchos (na verdade, cartões de memória) do PC Engine, o console doméstico da mesma marca, um diferencial que nenhum console atual oferece.

A seção que contém os consoles mais influentes da indústria mundial é a que mais se assemelha a um museu, em que os aparelhos estão expostos como peças raras, porém, por se tratar de uma exposição interativa, todos eles ficam com seus controles do lado de fora do vidro, permitindo que os visitantes experimentem pela primeira vez ou relembrem as experiências de outros tempos.

A Exposição também conta com várias artes conceituais originais espalhadas pelo museu, desde a proposta e primeiros rascunhos do que viria a tornar-se Tomb Raider, bem como os primeiros rascunhos do personagem Sonic, que viria a tornar-se a “mascote” oficial da Sega. Ainda falando de Tomb Raider, o prêmio BAFTA conferido a seus criadores, em 1999, encontra-se exposto no museu, ao lado de um quiosque com o premiado game da Eidos Interactive.

Se você quer conferir raridades, a Game On ainda conta com Steel Battalion, game desenvolvido pela Capcom exclusivamente para o primeiro Xbox, que conta com um controle de 40 botões (boa parte deles iluminados) e pedais cromados, que permitem ao jogador controle absoluto de um mech (ou V-Tank, como chamam no game). Apesar de ser impossível verificar no MIS, o nome dos principais responsáveis pelo jogo está “impresso” na parte de baixo do controle, que inclui nomes como Shinji Mikami, um dos criadores da série Resident Evil.

O último andar da exposição enfatiza a geração atual com Halo 3 demonstrando a força dos jogos multiplayer, Wii Sports exibindo a simplicidade que conquistou milhões de gamers casuais em todo o mundo, bem como The Beatles Rock Band unindo gerações com o poder da música e o Kinect, representado por Child of Eden, do mestre Testsuya Mizuguchi.

Seria impossível querer que todos os jogos mais importantes fizessem parte da exposição (a ausência dos jogos da série Uncharted é injustificável), porém, no final, a Game On atinge seu objetivo ao demonstrar a arte por trás dos videogames, bem como ao unir gerações de gamers e proporcionar experiências que as gerações atuais nunca tiveram, como estar com seus oponentes – desconhecidos – ao seu lado, deixando clara a etiqueta que a situação demanda, quando não se está protegido pelo anonimato que a Internet proporciona.

Sem dúvida, é um evento que vale a pena prestigiar, apesar de não tão elaborado ou caprichado quanto a Star Wars Expo, que estabeleceu o patamar de eventos semelhantes. Trata-se de uma experiência que trará lembranças aos mais velhos e que mostrará, a gamers de todas as idades, as origens e os marcos dessa indústria em incessante evolução que tanto amamos.

LOCAL: A Exposição Game On está sediada no MIS (Museu da Imagem e do Som), que fica na Avenida Europa, 158, no Jardim Europa.

A região é bem servida por ônibus, mas o MIS também conta com estacionamento próprio, que custa R$ 15,00 (R$ 8,00 caso o visitante carimbe o recibo do estacionamento na recepção do museu).

HORÁRIO: A exposição funciona de segunda a sexta das 12h às 21h e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 21h.

PREÇO: O ingresso custa R$ 10,00 (inteira), R$ 5,00 (meia), e é gratuito para menores de 05 anos.

SITE: www.mis-sp.org.br