Aos 15 de novembro de 2001, o destino da Microsoft no mercado de entretenimento eletrônico estava definido, com o lançamento do primeiro Xbox. Apesar de recém chegada ao mercado de consoles domésticos, uma indústria dominada por Sony e Nintendo, a Microsoft chegou inovando, trazendo um console com modem banda larga, HD interno (o que permitiu o recurso Custom Soundtrack), resolução de até 720p, audio 5.1, design robusto, com entradas para quatro controles (cujos cabos separavam-se, caso alguém tropeçasse neles, evitando a queda do console), e um controle que, apesar das modificações sofridas com o passar dos anos, continua atual e permitiu, pela primeira vez, que um jogo de tiro em primeira pessoa tivesse uma jogabilidade tão boa quanto nos PCs, demonstrando o quanto esse console veio a determinar os padrões da indústria nos anos seguintes.
A superioridade tecnológica, porém, de nada serve sem jogos de qualidade. De toda a linha de jogos de lançamento (que incluiu Dead or Alive 3 e Project Gotham Racing, ambos rodando a belíssimos 60 frames por segundo), um deles, em especial, não apenas tornou-se um ícone da cultura pop mundial (considerado o “Star Wars” desta geração nos EUA), como também veio a definir o sucesso dessa plataforma: Halo Combat Evolved.
Jogos de tiro em primeira pessoa já existam nos consoles domésticos, porém, os controles existentes até aquela época sempre prejudiciavam sua performance e, sobretudo, a experiência. Pergunte a quem tentou jogar Half-Life no PlayStation 2 (ou quem, como nós, sofre para jogar qualquer jogo do gênero no PlayStation 3), e a resposta demonstrará o quanto o Dual-Shock é inapropriado para qualquer jogo nesse estilo. Jogos como Killzone, Resistance e Call of Duty são simplesmente um martírio com o controle padrão da Sony, cujo design, apesar de implorar por atualizações, permanece praticamente o mesmo desde 1994.
HISTÓRICO
Ocorre que, Halo: Combat Evolved, não era apenas um jogo de tiro em primeira pessoa, mas uma verdadeira revolução, que veio a popularizar um gênero por meio de sua excelente jogabilidade, uma história envolvente, cujo roteiro supera muitos dos melhores filmes produzidos em Hollywood nos últimos 20 anos, além de uma trilha sonora espetacular e dublagem (voice acting) de primeira linha, tornando-se uma das séries de maior sucesso da indústria, dando origem a diversos livros (em sua maioria elogiados pela crítica), animés em DVD e Blu-ray, CDs com suas trilhas sonoras, brinquedos, entre outros produtos relacionados.
Halo: Combat Evolved narra a história de John-117, um dos últimos Spartans-II, super soldados treinados desde os seis anos de idade, emodificados geneticamente para garantir sua superioridade no campo de batalha. Criados originalmente pela Dra. Catherine Halsey para enfrentar rebeldes separatistas, que lutavam pela independência de diversas colônias do domínio da Terra, os Spartans-II tornaram-se a principal defesa da humanidade com o surgimento de uma ameaça alienígena, que se auto denominava o “Covenant” (o Pacto), cujo objetivo era expurgar a humanidade do universo, aparentemente por motivos religiosos, mas cujos reais motivos provam-se ainda mais sombrios.
A história de Combat Evolved começa com a chegada da Pillar of Autumn, uma das poucas naves de combate que escaparam do cerco Covenant ao planeta Reach, maior base militar da UNSC (Comando Espacial das Nações Unidas), praticamente destruído pelas forças inimigas (vide fatos ocorridos em Halo: Reach), que, ao conseguir decolar, dá um salto (aparentemente cego) no hiper espaço,em coordenadas nunca antes exploradas, programadas pela IA (inteligência artificial) criada pela Dra. Halsey: Cortana. Essas coodenadas, na verdade, foram obtidas pela UNSC em ruínas alienígenas, de uma civilização que precedeu humanos e Covenant: os Forerunners.
Tecnologicamente superiores em relação a quaisquer das civilizações existentes atualmente na galáxia, os Forerunners eram os guardiões da ordem no universo conhecido, e assim foram por milhões de anos, até que algo desconhecido aconteceu há 100 mil anos, levando-os à exitinção, e deixando para trás apenas ruínas. O que teria sido capaz de aniquilar uma civilização que dominava uma galáxia inteira? Esse é um dos pontos principais da mitologia da série. O restante da história você deve descobrir sozinho. Garantimos que será uma experiência sem igual.
AVALIAÇÃO TOOGAMERS:
GRÁFICOS: (8/10)
Os gráficos foram totalmente refeitos, trazendo, com sucesso, o clássico de 2001 para os dias atuais. Animações de personagens, armas, cenários, efeitos, enfim, tudo traz detalhes impensáveis em 2001, tornando a experiência que é jogar o melhor jogo da série, ainda mais agradável, oferecendo, ao mesmo tempo, a possibildiade de ver como o jogo era há dez anos atrás, com o simples apertar do botão “Back” no controle. A frame rate da versão remasterizada, no entanto, sofre um pouco, talvez por rodar as duas versões do game, simultaneamente. Recomendamos a instalação no HD. Deve-se ter em mente que este não um lançamento atual, mas uma remasterização, lançada a preço acessível.
JOGABILIDADE: (9/10)
A jogabilidade que tornou o Xbox um sucesso está intacta, fruto da decisão de manter o jogo original como base.
TRILHA SONORA/EFEITOS SONOROS: (10/10)
A trilha sonora foi totalmente rearranjada, reorquestrada e regravada, pela Skywalker Orchestra, tornando a trilha sonora ainda mais grandiosa. Para os saudosistas, o menu de configurações permite o uso da trilha sonora original. O som de todas as armas também foi regravado e conta com um realismo impressionante.
DUBLAGEM: (10/10)
Aqui analisamos o voice acting original. Trata-se de uma obra-prima, que consegue emocionar, aterrorizar e fazer rir, quando necessário, trazendo um variadíssimo leque de sentimentos, do início ao final. Vozes icônicas, que ficarão para sempre em sua memória.
LOCALIZAÇÃO: (7/10)
A 343 Industries, acertadamente, optou por não permitir a dublagem do game, restringindo a tradução apenas a legendas. Realmente, é impensável a substituição dos dubladores originais, uma vez que suas vozes são icônicas, porém, a tradução, apesar de competente, peca em alguns termos, evidenciando que foi realizada por profissionais sem muita familiariedade com a série. Bastaria um fã da série para revisar os textos e a tradução teria ficado perfeita. Falta essa visão à Microsoft. Vamos torcer para que a tradução de Halo 4 fique primorosa, pois traduzir “The Covenant” como “A Irmandade”, realmente é sinal claro de que algo está errado.
ONLINE: (9/10)
Quando Halo: Combat Evolved chegou ao mercado em 2011, a única opção de modo cooperativo para dois jogadores era via split screen (tela divida). Com o advento e evolução da Xbox Live, os fãs da campanha da década finalmente poderão jogar cooperativamente pela Xbox Live, tornando Halo Anniversary uma experiência ainda mais completa.
Além da campanha, Halo Anniversary ainda traz mapas multiplayer clássicos, remasterizados e adaptados à engine de Halo: Reach, permitindo o uso de equipamentos. Os mapas, como detalhados abaixo (item “Extras”), podem ser baixados no HD para uso em Halo: Reach, graças ao código de DLC que acompanha Anniversary.
EXTRAS: (8/10)
A versão nacional traz dois cartões de DLCs, que incluem para os fãs brasileiros todos os bônus de pré-venda oferecidos nos EUA, ou seja:
1. Armadura do Master Chief para seu avatar (versões masculina e feminina);
2. Grunt Funeral Skull (extra que torna a morte dos Grunts ainda mais “explosivas”);
3. Anniversary Map Pack para Halo: Reach (download do de 6 mapas multiplayer inclusos no disco, para uso em Halo Reach e 1 novo mapa para o modo Firefight);
4. Dois dias de Xbox Live Gold grátis (permite que membros da Xbox Live grátis desfrutem dos modos de jogo multiplayer online, gratuitamente).
NOTA FINAL: 8 (não é uma média aritmética).
Halo: Combat Evolved Anniversary pode ser encontrado em todas as lojas da rede oficial de parceiros da Microsoft, ao preço sugerido de R$ 99,00.
